6 de jan. de 2011

Saracumirim

   Saracumirim é a terra dos sonhos, do seu sonho. Tudo o que precisar, estará lá.
   Pode estar em qualquer lugar. Se você quiser que seja a direita, será. A esquerda, também será. Dos dois lados, também. Se quiser que seja no campo ou na praia. Basta pensar.
   Por lá se realizam sonhos, qualquer tipo deles. Desenhar uma casa e ela aparecer, lá é o lugar. Um cachorro igual ao da propaganda, é só querer, que ele sai da TV e aparece no seu colo.
   As pessoas que você sempre sonha encontrar, ou que sempre encontra em sonhos, estão todas lá. Se reunindo, fazendo o que você deseja. Dormindo ou festejando. Festejando por dormir à vontade ou dormindo por ter muito festejado.
   Não há muito o que fazer assim que chega  na cidade. Há o que, apenas, idealizar. Aliás, falando em chegar, pode ser de várias maneiras: aviões, navios, caravelas, carros, carruagens, cavalos. Tudo entra em Saracumirim a toda hora, a não ser que você diga não.
   Saracumirim é única. Uma para cada pessoa. Afinal, cada pessoa pode ter a sua Saracumirim diferente, mas podem ser também iguais, ou as mesmas. Vivendo em harmonia, pode ser igual ao lugar onde vive, pode ser completamente incompatível.
   Aliás, cada pessoa também é única. Então pode ser dito que uma pessoa para cada Saracumirim. Será ela muito diferente de nós, então? Afinal nós somos o que imaginamos ser. Manipulados por outros, talvez. Saracumirim é o que imaginamos, todavia, é manipulada por nós mesmos, por cada ideia brilhante que entra e sai a todo momento de nossa mente. Cada ideia transparente que transparece a todo momento.
   E qual a estrada para lá? Qualquer uma. Lá se chega sonhando. Acordado ou dormindo.
   Não é aconselhável que se conte muito sobre lá. Acabaria contando como é a minha. E cada um com a sua,  mas se for igual ou a mesma de outra pessoa, será por pura coincidência. Sim, pois pra ser igual, você tem que querer que seja, e a outra pessoa também.
   Ah, claro! Saracumirim também não é terra de somente maravilhas. Afinal, de toda mente sai algo ruim. Se quiser sair de lá, então, não hesite. O povo Saracumirinhamo é obediente, pode ficar triste com o fim da sua visita por lá, mas deixa-o ir embora assim que desejar, se recolhem e acenam no mais profundo adeus visto pela cidade. E a cada dia mais e mais profundo. Mais e mais adeus. Mas mais e mais "olá, bem-vindo" assim que você chegar a cada dia.
   É, talvez nem todas as mentes tenham ideias ruins. As crianças! Ah, as crianças! Tão inocentes e indefesas, mas suas mínimas e poderosas mentes, com toda sua simplicidade, governam Saracumirim como nunca dantes visto por alguém mais velho. Um homem de lá me contou que - bem, ele contou para mim. Não contou para os outros, ele não quis. Ou eu não quis que ele quisesse. Melhor deixar assim.
   Se quiserem visitar Saracumirim, é logo ali. E a milhares de quilômetros de distância, ao mesmo tempo. Ela não consta no mapa. Não nos mapas desenhados e espalhados por aí, consta no seu mapa, e no meu, a minha. E quer um segredo? Eu todos os dias jogo meu mapa fora. No dia seguinte ela estará em outro lugar, de que adiantaria um mapa velho?
   Ela estará a cada dia num novo lugar, com uma nova função, com tudo novo, a meu ver.

Um comentário:

  1. Bonito, gostei.
    Eu tenho uma cidade dessas também, mas desde pequeno costumo chamar de Bimbadol, e eu desenho os seres que moram lá. Desde pequeno.
    Deu vontade de ser criança outra vez!

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